Escrever para
o blog tem sido algo fantástico na mente, mas difícil na pratica. Tinha até um post semi-preparado sobre as series do mid-season, mas quando percebi, já
estávamos em outubro e não ficaria bem postar a essas alturas. Mais sabe quando
você vê um filme muito legal e precisa, desesperadamente, falar com alguém
sobre isso? Foi o que fiz, mas no Facebook. E como isso parecia ainda pouco, li
o livro, com um empurrãozinho de animo do Andy, e senti que precisava falar
mais do que as redes sociais permitem. Com vocês: As Vantagens de ser invisível
(The Perks of Being a Wallflower)!
O Filme
Vou começar
falando sobre o filme porque só li o livro depois – e isso já é o primeiro
ponto positivo, querer ver a obra que o originou. Antes, é preciso dizer que o
livro foi lançado em 1999 por Stephen Chbosky, que agora atua como roteirista e
diretor, o que no mínimo dá segurança quanto à fidelidade da adaptação. E para
si próprio, creio que foi uma revisitação a antigos personagens. Já imaginou
poder escrever um filme sobre seu próprio livro e modificar ou mexer em uma
obra com mais de 10 anos? E melhor ainda, dirigir a obra, tentando passar para
a tela aquilo que está em sua mente? Não digo que é um trabalho fácil, mas no
mínimo curioso.
A estória, e
não sei se posso falar muito, então vou me conter – logo, logo, coloco um aviso
de spoiler e falamos mais claramente
– trata de um adolescente (Charlie, interpretado por Logan Lerman) que deve
lidar com o suicídio do melhor amigo, lembranças de uma tia problemática e as
dificuldades ao entrar no high school.
E acredite, a escola pode ser motivo de mais depressão que muita coisa por aí.
Em um dos jogos ele resolve não só assistir e conhece novos amigos que vão
ajudá-lo neste processo de adaptação, mesmo que eles próprios não sejam
exatamente ajustados, Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller) – dois meios
irmãos, cada um com seus dilemas próprios. Sam é adorável e logo atrai Charlie,
mas só namora garotos mais velhos e rolam-se boatos que seria menina rodada na
escola. Patrick namora com Brad (Johnny Simmons), que por ser do time da escola
e pela rejeição do pai, esconde a relação dos dois.
Completa o
circulo de amigos Bob, um cara que vive drogado e drogando pessoas, Mary
Elizabeth (Mae Whitman), uma punk e budista, e Jen, uma menina rica, mas que
gosta de roubar calças nas lojas. É uma descrição simplória, eu sei, mas forma
uma mistura fantástica no filme. Ainda temos a família de Charlie – composta basicamente
de caras conhecidas da TV americana.
O filme tem
ótima trilha sonora e algumas cenas realmente belas, mas os diálogos são um
caso a parte de tão bons. Sejam as cartas narradas por Charlie, sejam as
conversas com Sam e Patrick, tudo é tão bacana que queremos fazer parte daquele
grupo. Uma das frases do livro acaba
virando motor do filme: "Nós aceitamos o amor
que pensamos merecer".
Sai do filme
pensando muito sobre os personagens, as historias, e, principalmente, se tinha
entendido bem o final ou se tudo não passava de um mal entendido de minha
cabeça perturbada (pode rir). Sai do cinema e corri, procurei ler o final do
livro mais não fiquei satisfeito, acabei comprando dois dias depois. Fazia
tempos que um filme me deixava reflexivo deste jeito, sobre a vida, sobre o
amor, sobre amizades e o quanto as verdadeiras são escassas. É uma tristeza
boa, como diz o personagem principal, e que nos faz pensar o quanto a vida é
agridoce, cheia de autos e baixos, alegrias e tristezas, lembranças e
prospectos do futuro.
Ah, antes de
partir para o livro: Tenho que dizer que Emma Watson está encantadora, Ezra
Miller é um ator fantástico, principalmente quando lembro que no ultimo filme
ele faz um psicopata, e Logan Lerman – que tanto odiei em Percy e naquele filme
tolo dos mosqueteiros – é meu amigo agora. Incrível o quanto ele está bem no
filme e passa todas as nuances do personagem levando até a identificação com o
espectador.
O livro
Confesso
que estou com muitos livros para ler, e um ainda para acabar, mas como fiquei
curioso acabei comprando e lendo logo em seguida. É um livro pequeno e fácil de
ler, daqueles que dá vontade de não largar até terminar, e isso está se tornado
raro comigo – em parte porque parece ser costume todo mundo hoje escrever
livros enormes e anda me faltando paciência para leitura dos mesmos.
Bem,
voltando, o livro é composto por cartas de Charlie para uma pessoa que é desconhecida
tanto para o leitor quando para o personagem. O objetivo é falar de sua vida
para alguém que talvez se importe e possibilita ser mais pessoal que um diário.
Algumas coisas são mais explicitas no livro do que no filme, e mais pessoais
também. Aqui temos o mundo completamente na visão do Charlie, somos colocamos
na sua pele, nos seus pensamentos, e, assim como ele, não entendemos sempre
tudo o que está acontecendo.
Os
livros que Charlie lê aparecem não somente como recomendações e contrapontos a
seu rumo, mas inspirações do próprio autor. Mesmo sendo obras diferentes,
lembrei muito de “O apanhador no campo de centeio” (comentado no post anterior) e “Pé na estrada” (que
parei de ler e agora está na estante aguardando seu retorno). As músicas também
estão entre as discussões dos personagens e tornam-se orgânicos com seu tempo,
além se ser mesmo uma recomendação enquanto se acompanham as idas e vindas
dessa turma.
Vale
dizer que a família acaba ganhando maior destaque aqui, recebendo inclusive
estórias que não são contadas no filme - mas sem prejudicar o desenvolvimento
de um ou de outro. De fato a impressão que dá é que o livro complementa o filme
e vice-versa. Em alguns pontos (hora da polêmica), achei o filme até melhor que
o livro. Terminei um com vontade de ver outro e é tão bom sentir saudades de um
livro/filme que acabamos de ler...
Comentários gerais (com Spoilers)
***Novamente: Com spoilers***
*** Serio mesmo, não leia se você não quer saber de mais detalhes, não
me responsabilizo!***
Comentei acima
que algumas coisas ficaram melhores no filme, mas em parte é porque o filme
expande algumas coisas do livro e retiram outras que não são ruins, mas que não
fazem sentido quando se quer contar uma estória em 103 minutos. Um exemplo é a
cena do cookie, no filme, que no livro era um brownie. A cena ficou hilária na
película e ao mesmo tempo com um leve toque de tristeza. Vale muito e pena.
A irmã de
Charlie tem mais destaque no livro, com a gravidez, aborto e o novo namorado.
Mas isso era desnecessário para o filme, assim penso. Depois li que a cena foi
filmada mesmo, mas que resolveram colocar nos extras do DVD: preciso
obter-los... Sim ou com certeza?
E falando de
Charlie, se no livro ele chorava varias vezes – brinco que o garoto era meio
EMO; no filme ele é mais contido, a depressão não é tão copiosa e o problema é
mais complicado: ele apresenta apagões em que não se lembra exatamente o que
fazia ou pensava... Tudo bem amarrado para um clímax mais tenso.
Esclareço: é
tudo uma questão do que funciona mais no papel e no que funciona mais na tela. Chbosky
é genial nesta diferenciação quando muitos soam didáticos. Um exemplo de equilíbrio são os diálogos de
Sam e Charlie no quando dela. Os dois, em ambos os meios, são ótimos de
acompanhar e reflexivos por si só. No filme Sam está mais próxima ainda de
Charlie porque ele a ajuda nos testes para a faculdade (A.S.T.), o que pra mim
fez todo sentido quando acompanhamos a vida, digamos, desregrada que eles
levam. No livro isso já não é abordado, somente sabemos que ela vai para a
faculdade e as preparações finais.
Só chamo
atenção para a questão da tia Helen que poderia ser mais explicito no filme.
Não fosse o Charlie dizendo que os pais ficaram chocados e que não sabiam eu
não ficaria cismado. Uma das razões de pegar o livro rapidamente foi que queria
tirar logo a dúvida, caso contrário pensaria que minha mente anda muito suja.
Não estava (rs). Aliás, este é outro destaque maior no filme, que no livro só
vamos ter no final – explodindo em nossas caras!
Tudo que posso
dizer é que gostei muito de conhecer esses personagens e espero encontrá-los
mais a frente, se minha estante ocupada permitir.
P.S. Se você
leu o livro ou viu o filme, por favor, comente aqui! Quero muito saber o que
outros pensaram.


Ah, quando vi o post no facebook, não consegui me conter de alegria, e vim correndo ler!! Procuro em todos os lugares oportunidades de comentar toda a minha empolgação com essa história realmente incrível... E fiquei muito feliz de poder conversar contigo... E todos os dias me penintencio por ainda não ter visto o filme!! Seus comentários só me deram a certeza de que preciso ver o filme com urgência, pois o livro não parece mais completo sem ele. Sério, eu vejo o trailer e meus olhos enchem de lágrimas e eu não consigo conter um sorriso enoooorme... Pode parecer exagero, mas essa história não saiu da minha cabeça desde a primeira vez que abri o livro e comecei a ler. Seus personagens me fazem falta, como se fossem melhores amigos meus. Charlie é alguém com quem me identifico de uma forma assustadora, e isso só tornou o livro ainda mais marcante para mim, e depois dos seus comentários, tenho a necessidade de acompanhar a atuação do Logan... E é claro, da Emma e do Ezra também... E sobre os livros e as músicas descritas no livro, eu sentia a cada nova página que ele estava preparando o ambiente para que qualquer leitor pudesse se aproximar ainda mais da vida de Charlie... Como não se emocionar ao ler a descrição da cena do túnel ouvindo "Landslide"?? Agora, fico aqui só imaginando como deve ser lindo ver isso no filme... Você tem razão, a oportunidade que o Stephen teve de revisitar seus personagens anos depois num formato diferente, deve ter sido realmente prazeirosa!! Fico muito feliz por ler seus comentários e saber que tenho um companheiro que sabe o que senti enquanto eu lia as cartas de Charlie. E pode deixar que assim que eu assistir o filme, venho correndo fazer outro comentários detalhado sobre as minhas impressões... ;)
ResponderExcluirAbração!
Ah, fiquei muito honrado por ter sido citado por aqui!! Excelente blog! Tenho que voltar aqui com mais calma! ;)
ResponderExcluirAmigo, tenho que concordar que o livro/filme te pega. O que me impressiona, porque é algo simples e até certo ponto não é inovador... mas parece que nos atrai do mesmo jeito!
ResponderExcluirObrigado pela visita, volte sempre! rs