segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Resenha: “Contos Completos” de Flannery O’Connor


Enquanto enrolo para desenrolar o TCC (que feio!) consegui terminar um livro que há muito desejava ter em mãos. “Contos Completos” de Flannery O’Connor (Editora Cosac Naify) me surgiu em uma promoção da livraria cultura no mês de Julho, e não pude perder, pois os livros da COSACNAIFY têm sempre excelente qualidade e acabamento, coisa de colecionador mesmo. Fora a promoção eu não sabia que havia qualquer livro da autora e já estava a algum tempo interessado, pois um dos meus autores cristãos prediletos, Philip Yancey, sempre a cita em seus livros e mais recentemente Brennan Manning a citou em outro livro, “O Impostor que vive em mim”. Com tão boas indicações, não hesitei em comprar, mas demorei a terminar não pelas mais de 600 paginas e sim pelo conteúdo indescritível.
                F. O’Connor é, como toda autora, produto de sua época, vivencias e crenças, mas isso somente não faz uma boa escritora. É preciso olhar com mais cuidado para o mundo e saber passar isso para o papel. E isso ela faz brilhantemente. Seus textos são ricos em descrições e diálogos que nos fazem submergir na obra e nos deixam pasmados com o desenlace. Não a toa, tinha que parar um bom tempo antes de ler novo texto, tal complexidade dos contos. Não conseguia simplesmente ir para o próximo sem pensar nos contextos ou no que a autora estaria querendo me passar. Cada descrição, que a colocou como uma das representantes do realismo no sul dos EUA, não está por acaso. É para ler e pensar no que se lê, é preciso compromisso.
                Parte da importância que dava a escrita pode ser vista em alguns contos que tratam da agonia de ser um autor, de ter uma ideia e tentar conta-la, desenvolve-la. Textos como “O barbeiro” mostram, e  quem sabe gere identificação, a dificuldade de se expressar e defender ideias. Em “O Calafrio constante” temos alguém que se descobre sem aptidão ou talento algum para a escrita, a ponto de desejar a morte, enquanto “O fetival da Azaléia de Patridge” nos leva a acompanhar dois escritores que buscam ir contra os pensamentos de uma cidade. Um que me chamou bastante atenção foi “A colheita”, onde pensamentos do narrador se fundem a uma escritora que na verdade sonha com elementos de seu cotidiano, como o homem desejado que pertence a outra.
                Dentre os elementos marcantes de sua obra estão os próprios americanos do sul pós-derrota da guerra civil, os moradores do interior, “Boa gente da roça”, os problemas de preconceito racial e, claro, religião – como católica em um meio basicamente protestante, ela tinha muito a escrever. Quanto à questão de racismo, o primeiro texto, “O gerânio”, que apresenta uma variante em “O dia do juízo final”, nos apresenta o velho Dudley, forçado a morar em NY com a filha e passando a viver em um mundo completamente diferente do que tinha no interior. Somos conduzidos a uma empatia com o velho, mas percebemos com o passar da narração sua maior contradição: se importava mais com um vaso de gerânio que todo dia era colocado pelo vizinho da frente na janela, para tomar sol, do que com o reconhecimento do vizinho negro como ser humano como ele. Texto lindo de se ler e que nos faz ter uma visão americana que não obtemos costumeiramente na TV. O preconceito é algo enraizado, e aqui é apresentado sem pré-julgamentos ou condenações, somente mostrado.
                O fator religião também é uma constante nas obras, e a autora pode até ser acusada de proselitismo, como bem faz o comentarista Cristovão Tezza no posfácio, mas discordo do comentarista em questão. A obra de um autor é fruto de quem ele é e também do que crê, porque deveria ela se afastar do catolicismo ou mesmo de uma visão moralista? Isso não é ruim, é autenticidade. Num mundo que tudo tenta rotular e separar, observamos a vida como ela é, e como a autora pensa.  Brennan Manning chega a comentar o conto “O Peru” em seu livro, mas que prazer foi ler e refletir sobre as camadas desvendadas na historia de um menino que ao correr por uma hora atrás do Peru ferido, pensando em como as pessoas o irão admirar, acaba caindo e se lamentando com Deus. É honesto e me fez pensar, assim como Manning, em como mudamos nossa perspectiva de Deus de acordo com as circunstancias e não como algo pessoal e constante. Textos como “Os aleijados entrarão primeiro” não são tão sutis, mas a não deixam de ser interessantes.
                Por fim, devo dizer, a obra cansa um pouco porque com o tempo percebemos que não há de se esperar um final feliz, ou uma conclusão fechada. Grande parte dos contos termina em tragédia, mas não uma tragédia do destino, é algo fruto das decisões dos personagens. Conforme a leitura prossegue percebemos que aquilo não pode terminar bem, e não o faz. Não é uma tragédia sem justificativa, mas sim resultado do próprio livre arbítrio. E algumas são chocantes. Como não se chocar com os desfechos de “Um homem bom é difícil de encontrar”, “O ultimo encontro com o inimigo”, ou “O rio”, ou mesmo “O refugiado da guerra”? Aliás, preciso dizer que esses são contos indicados e indispensáveis. Outro nível.
                Alguns contos não inesquecíveis, e exigiram um pouco de paciência e até releitura dos fechamentos, nada é gratuito. As historias são construídas e realistas, materiais. Aliás, não a toa que nem nos círculos católicos a autora foi bem recebida, há não só tragédia, mas violência em diversas passagens, como na perturbável cena de um avô e sua pequena neta em um choque irônico devido ao avanço do modernismo para o campo, em “Uma vista da mata”.
                Leitura indispensável!

“Compreendeu que sua ação era tudo que alguém pode levar para a morte e ofertar a seu Criador, ardendo bruscamente de vergonha por possuir tão pouco disso para levar consigo. Julgando-se pela meticulosidade de Deus, mantinha-se estarrecido, enquanto a ação da misericórdia aderia como chama a seu orgulho e o queimava. Se jamais tomara por grande pecador, via agora entretanto que sua corrupção verdadeira só lhe fora ocultada para não lhe causar desespero.”   (Conto “O negro artificial”)
“A menina doutorou-se em filosofia e isso deixara Mrs. Hopewell no mais completo embaraço. Qualquer um bem que podia dizer “Minha filha é enfermeira”, ou “Minha filha é professora do ensino básico”, ou até mesmo “Minha filha é engenheira química”. Mas quem diria “Minha filha é filosofa”, se isso era coisa morta e acabada desde os romanos e os gregos?.” (Conto “Gente boa da roça”)

The Big Bang Theory - 5x07 - The Good Guy Fluctuation

The Big Bang Theory virou Chaves e ninguém me avisa?


Antes de falar do principal, gostaria de comentar que nem toda garota nerd é feia, tem muita menina cabeça e bonita, é só procurar. E sim, tem gente que gosta de quadrinhos. Posto as cartas na mesa, ao menos pra mim é de admirar que só agora uma mulher (depois da Penny, claro) entrasse na loja de quadrinhos, mas isso foi somente desculpa para uma nova provável personagem que deve surgir no meio da relação Leonard e Priya (quem é essa mesmo?). E Leonard pode ser uma mala, mas é o cara que mais pega mulher nessa serie, e se dá ao luxo de ser o primeiro (?) nerd a cornear alguém, o que descobrimos ser atrasado e ultrapassado  pela namorada.  Eu se fosse a Alice dava um soco na cara besta dele (rs), mas pelo visto isso não acabou, já que recentemente a atriz foi escalada para ser semirregular na serie.

E como o grande destaque nos últimos dias é o Halloween, tudo mundo tirou uma casquinha do Sheldon, que até teve uma revanche zumbi no final. Mas não me leve a mal, eu ri e me diverti com as pegadinhas, só que novamente estão sem material nenhum para o personagem e mais uma vez Sheldon apenas é uma criança abobalhada e sem noção. Como justificar a cena da mascara logo no começo?  Ou mesmo do choque elétrico? Foi Chaves puro! E se você achou hilário, me desculpe, mas o original é muito melhor (ver cenas abaixo). Mas não sei se posso reclamar, até que a serie vai numa constante não tão ruim – é torcer para ser melhor.   



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Once Upon a Time – 1x01 – Pilot

Quando a realidade é uma droga…

Literatura de fantasia é comumente associada a escapismo, mas não importa as repreensões, não há quem não goste de um bom escapismo de vez em quando, e quem já foi embalado em historias e contos de fada, como eu, que inclusive acompanhava umas historias na TV Cultura, sabe que as vezes a realidade é uma droga. Eis então que surge “Once Upon a Time”, ou “Era uma Vez” a aposta da ABC para o ramo da fantasia. E a historia não é nada desconhecida para quem já assistiu “Encantada”, para ficar um exemplo: Uma bruxa má castiga todo o reino de felizes para sempre os transportando para a realidade, somente uma pessoa está imune a isso, Emma Swan, filha da branca de neve que deve voltar e trazer o confronto final entre o bem e o mal. 

Se você pensou que ia ser uma salada, está certo. Há aqui vários personagens, inclusive um vilão de nome estranho das estórias dos irmãos Grimm. De cara temos grilo falante, Gepeto e Pinóquio, a vovozinha e chapeuzinho vermelho. Temos um panorama da serie interessante onde os personegens não lembram quem são, como a da branca de neve virando professora do jardim de infância enquanto o príncipe encantado é um desconhecido aparentemente em coma, mas o resto é pouco eficaz. A começar pela Emma, interpretada por Jennifer Morrison, a atriz me pareceu deslocada demais e os roteiristas poderiam ter dado mais emoção ao seu encontro com o filho que dez anos antes colocou para a adoção, ficou faltando algo aqui.
E se você achou que a produção é medonha, acertou de novo! Serio, é o nível de historinhas sem orçamento que passava na tv quando era criança. Serio gente, dava pra fazer melhor que aquilo. E creio que minha birra se torna auto explicada quando me lembro de “Pushing Daisies”. Nunca antes, e pelo visto nunca haverá, houve serie tão colorida e apaixonante (um conto de fadas adulto!) e ainda assim com pouco orçamento. Isso porque os produtores sabiam usar até os afeitos toscos para gerar um humor disfarçado e delicioso. Aqui tudo é mais serio, mas não apaixonante como PD. Sei que é covardia assemelhar, mas se quer fazer, faça direito!
Mas sabe de uma coisa? Por incrível que pareça, quando o negócio acabou fiquei com vontade de ver outro. Achei o finalzinho bonitinho, devo estar ficando mole mesmo (rs) e creio que a coisa prossegue. Vi algumas pessoas elogiando, as acho que isso é só efeito as referencias e roteiristas de Lost envolvidos no programa. Pelo menos aqui, a luz do paraíso faz mais sentido. É esperar e ver o que vai rolar debaixo desta ponte.    

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

The Big Bang Theory - 4x05 - The Russian Rocket Reaction; e 4x06 - The Rhinitis Revelation


Alguém me responde, eu estou de mal com essa serie ou ela está comigo? 

 
Quanto ao primeiro episódio, descobrimos que Howard está para ir ao espaço, em um projeto ambicioso não só para ele quanto para a serie, que nunca investiu muito em arcos contínuos, mas estou feliz com isso. Claro que Bernadete não aceita tudo assim numa boa, coisa seu noivo pode explodir no espaço, mas isso meio que se resolve e os dois voltam às boas. Enquanto isso temos Leonard e Sheldon “brigando” sobre ir ou não a uma festa de Wil Wheaton, o que rendeu uma ótima piada com p paradigma da amizade de Schrödinger – e Penny mostrando como as coisa funcionam em Nebraska. E a pergunta que não quer calar: Porque no Sheldon está mais infantil do que nunca? E quando isso vai passar? 

Pelo visto, não tão cedo... Afinal no episodio seguinte temos ele se comportando abobalhada mente quando sua mãe chega para passar as férias. Amo muito a mãe do Sheldon, e quase todas as suas piadas foram boas, mas deu-me a impressão de que acumularam um monte de brincadeiras com ela e resolveram trazer de volta para usa-las, ou seja, em muitos momentos foi desconexo e algumas vezes preconceituoso. Mas como não amar ela dizendo que ia para um cruzeiro onde o momento preferido seria o “Atirando com Deus”? Amei a brincadeira, quem sabe as igrejas daqui não fazem... (rs) 

Mas não sei se foi só impressão minha, mas esse episódio foi meio arrastado. Teve ótimas piadas, mas pareceu demorar a passar, estranho. De qualquer forma, não posso deixar de comentar que com as rápidas aparições Amy tem tido seu merecido destaque, gostei muito de ambas as cenas nos dois episódios. 

E você, acha que estou exagerando ou o Sheldon está abusando da meninagem?

How I Met Your Mother – 07x06 - Mystery vs. History


Fazia tempo que a serie ao apresentava um começo de temporada tão bom, certo? Estou gostando muito dos caminhos tomados e tudo parece bem planejado – apesar de não ter mais esperança nisto desde Lost.  A começar pela questão do quanto à tecnologia tira os mistérios de nossa vida, hoje tudo é pratico, acessível e na ponta dos dedos futricamos contas de Orkut, Facebook, Twitter, etc. Onde fica a graça de descobrir o que pensa outra pessoa, ou de ouvir uma fofoca (que feio)? Talvez por isso o romance esteja tão em defasagem nos últimos dias, mas olha aí HIMYM me fazendo filosofar...

Todo o caso de Barney e Robin pesquisando a vida dos encontros de Ted foi divertido, e aliado a questão da descoberta do sexo do bebê de Marshall e Lily foi um toque a mais para amenizar a situação clichê (sempre há  essa coisa do querer/poder ou não saber o sexo da criança). Claro que achei meio tosto a reação do Ted e o novo namorado da Robin não tem talento para comedias como pensei (vide sua participação em House),apesar da ótima cena de analise do grupo. Foi um ótimo episodio!

Suburgatory – 1x01 – Pilot; e 1x02 - The Barbecue


  
Nunca, nunca na vida eu pensei que essa serie pudesse ser boa. Afinal eu vi os vídeos promocionais, nada da ABC parecia ser digno de confiança, mas ouvi por aqui e ali ótimas opiniões sobre a serie e, ainda incrédulo, fui conferir umas três semanas depois da estréia, e vou ter que dar o braço a torcer, Suburgatory é muito divertida. 

A sinopse é simples, após encontrar camisinhas na gaveta da filha Tessa (Jane Levy) o preocupado pai solteiro George Altman (Jeremy Sisto ) resolve se mudar para um lugar de grama sempre verde e vizinhos que amam um mexerico. E tudo foi muito bem sacado nestes dois primeiros episódios, os risos sabem fáceis e com pouco tempo já dá pra se apegar aos personagens.  Tem um climinha que por alguma razão me lembrou Modern Family, mas não segue a questão de documentário. 

Após sermos apresentados brevemente aos personagens, no segundo descobrimos que se os novos vizinhos não fizerem um churrasco, serão expurgados da sociedade. Claro que Tessa não se importa, ou pelo menos não se importava até deixar seus ideais de lado para ficar aos beijos com o vizinho Ryan Shay (Parker Young), um cara sem noção, sem inteligência, e que rebola mais que mulher em festa de Funk. No final das contas a menina prefere cortar relações, pois assim como salgadinhos o rapaz pode ter um tanquinho, mas é prejudicial à saúde.  

O churrasco foi o ponto alto, com a brincadeira sobre salsichas e a fofoca dos vizinhos gays – eu ri muito aqui quando o George diz ter gostado de saber que há vizinhos gays e os dois perguntam quem é. Os diálogos foram legais e a historia parece que vai render, mas ao invés de me perguntar até quando, vou simplesmente me divertir com essa vidinha suburbana. 

Community – 3x04 - Remedial Chaos Theory


     A começar pela piada interna, com a duvida de qual seria o apartamento e que remetia a troca de episódios, tudo foi absolutamente perfeito neste episódio! Como foi confirmado pelo produtor, este capitulo era para ter vindo antes, mas devido ao atraso nas filmagens foi feito a troca e isso só deixou a cabeça dos fãs girando quando se pensa nos acontecimentos, vide as teorias do nerdloser .
   Toda a historia se passa guando o grupo de estudos se reúne em uma festa para estrear o novo apartamento de Troy e Abed, que resolvem ser receptivos como sempre. Em um jogo suas vidas mudam e varias realidades alternativas estão em jogo, e cada realidade que aparecia mais meu sorriso aumentava.    
   Foi muito bom ver Troy perturbado com o Troll (olha que delicia essa serie!) recebido de Pierce, que pro sua vez repedia a mesma memória já citada na semana anterior, teve Britta e sua dança perturbadora ao Receber a pizza, foi tanta coisa legal que fica difícil enumerar. E quando lembro que o resultado na realidade mais catastrófica para Britta foi somente fazer uma mexa azul no cabelo – enquanto o apartamento pega fogo, Pierce leva um tiro e Jeff perde um braço – não há como não chorar de rir.   Sensacional, vou me juntar ao evil Abed e ao evil Try para pular na outra realidade também!

P.s. Alguém entendeu porque o pessoal não comia nada do que a Shirley fazia? Foi a única coisa sem explicação.

Modern Family – 3X05 – Hit and Run



   E falando em boa seqüência de episódios, Modern Family está com tudo nesta temporada. Muito amor pela família Dunphy e seu Luk congelando os bens ou Phill entupindo a filha de xarope que faz dormir. Ri muito aqui, e também não tinha como ser diferente. Jay no mundo dos negócios foi meio besta, mas foi super divertido quando vemos sua tática de usar Gloria como arma de guerra, afinal ela arrasa quarteirão – fui antigo e bobo agora, né?
 Confesso que assim como Michael eu não correria atrás do cara, mas teria acompanhado até o carro para pegar os documentos, ao invés de conversar com Cam, que tentou sair correndo e gritando por ajuda ou mostrando toda sua masculinidade ao tentar brincar com um pai no cinema por deixar os filhos assistirem Os Muppets – aliás, como eu ri com a pequena Lily descobrindo que eles foram ver o filme sem ele, tipo, eu voltei e assisti de novo e voltei novamente para mostrar a minha irmã. No final das contas Mich mostrou a que veio e que não faz corpo mole ao agarrar o bandidinho representado pelo avulso da semana, que fez Community no 3x03.
E por fim, como não comentar o discurso arrebatador de Gloria para Claire? Foi genial ela falando da prima que no final foi atropelada por um ônibus, mas pelo menos enfrentou seus medos. Pelo visto a disputa presidencial vai tomar conta do próximo episodio e mal posso esperar...