sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cinema: Imortais (2011)


O verdadeiro Teseu e o Minotauro
Teseu, cujo nome em grego significa “homem forte por excelência” era, segundo a mitologia grega, filho do rei Ageu e seu efeito mais conhecido foi matar o Minotauro, um ser feroz metade homem e metade touro, que viveu abaixo do palácio do Rei Minos em Knossos. Historiadores afirmam que isto seria uma provável representação para uma dominação de Atenas por Creta, que cobrava altos impostos, e a libertação através do evento com o miniaturo. Há ainda indicações de um castelo cheio de corredores, como um labirinto, e os costumes em Creta de que em determinadas festas religiosas eram utilizados mascaras representando cabeças de touros. 

                Aproveitando de tantas historias e mistérios, surge o filme “Imortais”, que tenha ser um épico grego que emplaque de vez, mas não passa de mais um filme violento com comparações ao filme 300. Aqui, Teseu é um homem desprezado  e pobre que se vê em meio as lutas dos homens e dos deuses. Tendo que enfrentar o perverso Rei Hiperión (Mickey Rourke, basicamente com a mesma cara em “O homem de Fero 2”) que declarou guerra contra todo o mundo grego e, para reforçar seu exército, ele tentará libertar os Titãs presos por Zeus para acabar até mesmo com o Olimpo.  

Henry Cavill como Teseu: Posando pra foto

                Não gosto de filmes de violência – e aqui é um blog pessoal, portanto vou dar minhas opiniões – mas se ao menos a historia for boa, posso acompanhar sem problema. A questão aqui, e motivo de questionamento, é porque hollywood sempre tenta popularizar e modificar  a historia para a cultura ocidental. Quer um exemplo? Dou vários: Zeus no filme parece ser Deus, crendo no livre arbítrio e castigando os que interferem no destino dos homens, mas qualquer pessoa que tenha estudado historia sabe que os deuses eram somente humanos eternos e com poderes. Eles interviam em tudo quanto é coisa na terra e não temiam por isso, sempre brigando entre si enquanto a humanidade pagava o preço. Ao mesmo tempo Teseu surge quase como um Cristo, tento toda a fé de Zeus e morrendo para alcançar um lugar de destaque no Olimpo com coragem e superação – detalhe, ainda inventam uma espécie de sistema de casta para oprimir o rapaz. Outra questão amplamente colocada no filme é sobre a fé nos deuses, o quanto deixamos de acreditar e etc. tudo soa artificial, sem propriedade e ridículo. A única produção que tratou sobre a fé de forma única foi Battlestar Galactica, o resto tem que comer muito feijão com arroz pra chegar ao nível. 


Poster do filme
                Sendo assim, não são os descamisados do campo, que parecem saídos da academia, que me incomodam. Aliás, em determinados momentos, percebe-se que o filme é uma interpretação do mito de Teseu, mas falta aqui credibilidade, capacidade para tratar o assunto de forma interessante. Tentam algo mais profundo, mas não conseguem. Como respeitar um filme em que os deuses parecem modelos posando para ultima edição de moda de “Saias do Olimpo” (quando mais dourado, melhor)?

                Os efeitos 3D são bons, mas também são dispensáveis, afinal, de que vale ver um filme de guerra se não temos flechas voando em nossa direção, não é verdade? Digo e repito: tudo isso seria perdoável se ao menos a historia foi interessante, e não somente uma empobrecida mitologia impregnada dos valores capitalistas que ainda deixam em aberto a possibilidade de uma continuação. Deste jeito, é difícil esperar que o gênero épico grego deslanche como merece...  

Um comentário:

  1. A unica coisa boa do filme foi os descamizados [exceto por Zeus - e que tá precisando malhar as pernas]. E não vamos comparar com o belíssimo 300. Eu não curto filme de violência. Mas Gladiador e 300 são épicos nesse sentido, de forma que tem a violência bem justificada e representada.

    Fiquei muito frustrada com o filme. nos primeiros minutos eu já queria me retirar daquela sala de cinema...

    ResponderExcluir