Quando a realidade é uma droga…
Literatura de fantasia é comumente associada a escapismo, mas não importa as repreensões, não há quem não goste de um bom escapismo de vez em quando, e quem já foi embalado em historias e contos de fada, como eu, que inclusive acompanhava umas historias na TV Cultura, sabe que as vezes a realidade é uma droga. Eis então que surge “Once Upon a Time”, ou “Era uma Vez” a aposta da ABC para o ramo da fantasia. E a historia não é nada desconhecida para quem já assistiu “Encantada”, para ficar um exemplo: Uma bruxa má castiga todo o reino de felizes para sempre os transportando para a realidade, somente uma pessoa está imune a isso, Emma Swan, filha da branca de neve que deve voltar e trazer o confronto final entre o bem e o mal.
Se você pensou que ia ser uma salada, está certo. Há aqui vários personagens, inclusive um vilão de nome estranho das estórias dos irmãos Grimm. De cara temos grilo falante, Gepeto e Pinóquio, a vovozinha e chapeuzinho vermelho. Temos um panorama da serie interessante onde os personegens não lembram quem são, como a da branca de neve virando professora do jardim de infância enquanto o príncipe encantado é um desconhecido aparentemente em coma, mas o resto é pouco eficaz. A começar pela Emma, interpretada por Jennifer Morrison, a atriz me pareceu deslocada demais e os roteiristas poderiam ter dado mais emoção ao seu encontro com o filho que dez anos antes colocou para a adoção, ficou faltando algo aqui.
E se você achou que a produção é medonha, acertou de novo! Serio, é o nível de historinhas sem orçamento que passava na tv quando era criança. Serio gente, dava pra fazer melhor que aquilo. E creio que minha birra se torna auto explicada quando me lembro de “Pushing Daisies”. Nunca antes, e pelo visto nunca haverá, houve serie tão colorida e apaixonante (um conto de fadas adulto!) e ainda assim com pouco orçamento. Isso porque os produtores sabiam usar até os afeitos toscos para gerar um humor disfarçado e delicioso. Aqui tudo é mais serio, mas não apaixonante como PD. Sei que é covardia assemelhar, mas se quer fazer, faça direito!
Mas sabe de uma coisa? Por incrível que pareça, quando o negócio acabou fiquei com vontade de ver outro. Achei o finalzinho bonitinho, devo estar ficando mole mesmo (rs) e creio que a coisa prossegue. Vi algumas pessoas elogiando, as acho que isso é só efeito as referencias e roteiristas de Lost envolvidos no programa. Pelo menos aqui, a luz do paraíso faz mais sentido. É esperar e ver o que vai rolar debaixo desta ponte.
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