sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Resenha:O inverno está chegando… A Guerra dos tronos

Quando ouvi falar sobre A Guerra dos Tronos como um descendente de livros como “O Senhor dos Anéis” ou Nárnia, minha empolgação era tanta que quase comprei a versão importada, em português de Portugal, mas deixei pra frente, e fui deixando, até que o soube que o livro ia ser lançado no Brasil, seguindo a euforia do lançamento da serie pela HBO, e, quem diria, com a polemica tradução não do original, mas da versão em português de Portugal que outrora eu pensava em comprar.

  Antes de qualquer coisa, o livro tem elementos de magia e batalhas que, sim, lembram O Senhor dos Anéis, mas não se resume a isso e não vá ler pensando ser isso. Como alguns comentaram na internet, tem umas pitadas Bernard Cornwell e segue uma linha até certo ponto mais realista e adulta, incluindo cenas de sexo e um incesto descoberto mais a frente. É sim uma “Família Soprano na terra media”.  Escrito por George R. R. Martin, o grande trunfo do livro é o foco a cada capitulo de um personagem diferente,num total de oito,  mas sempre seguindo uma linearidade narrativa. Se você não gosta muito de um personagem, não há com que se desesperar porque os capítulos são curtos e logo o que você gosta vai ter a vez, mas isso tem um preço, e o primeiro livro das crônicas de gelo e fogo assumem modestas 592 paginas – um tijolo que minha mãe perguntou se não era um dicionário.

A historia, para não revelar muito, segue o novo Mão do Rei Eddard “Ned” Stark, senhor das terras do norte, após a morte súbita e misteriosa do antigo ocupante do cargo. Ned, um dos meus personagens favoritos, diga-se de passagem, e sua família se vê então em uma rede de intrigas e mentiras que podem dar fim ao rei Robert Baratheon e levar os antigos reinos a abandonar a paz. Enquanto isso, acompanhamos o filho bastando de Ned, John – outro preferido da minha parte, que ao se integrar aos Guardiões da Noite  começa e perceber forças misteriosas e aterrorizantes do outro lado da Muralha, seres cujas intenções e faces não estão claras, mas que não parecem ser nada amistosas. Por fim, resta a ultima herdeira de um rei deposto, a filha do dragão, Daenerys Targaryen, que pretende retornar e dominar aqueles que aniquilaram sua família.  

Quanto a minha opinião, o livro é fantástico e cria um mundo em que mergulhamos com facilidade, mas confesso que ao ler nestas férias sentia certa preguiça para começar a leitura, pois o livro é enorme e possui muitos personagens, sendo que vários morrem, do qual acabava sem saber a qual se apegar ou guardar o nome. E aí que os capítulos curtos e centrados nos personagens ajudam nesta viagem sugerida pelo autor de descobrir um mundo onde invernos ou verões podem durar anos e governos se dividem em frágeis relações com suseranos e vassalos que podem mudar de lado a qualquer hora. Os personagens são interessantes e a historia é cheia de reviravoltas. A narração flui mesmo que com alguns tropeções – alguns da tradução, outros do próprio autor que por vezes coloca coisas repetitivas demais em algumas cenas (como o corvo chato na patrulha da noite ou os meitres que vivem incomodados com suas correntes no pescoço), mas afinal ele não é Tolkien, e deixa um ótimo gancho para o próximo livro, que deve ser lançado ainda neste mês pela editora Leya .

Se você procura uma boa obra, encontrou, e como bônus já pode ficar como eu, ansioso pela estréia da adaptação na HBO em abril. O inverno está chegando… E trás lobos gigantes, fantasmas, venenos e intrigas. Imperdível.        

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