sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PER-FEI-TO


Há sempre um cisne negro dentro ne nós?

Nada é perfeito, certo?
Mas isso não nos impede de correr atrás da perfeição, de desejá-la, e isso condiz com nossa essência que sempre fica atormentada, querendo mais, nunca satisfeita com o que tem ou fez.  Ícaro não se contentava como voar alem do que qualquer homem já fizera, ele queria tocar a pureza do céu, atingir um novo patamar. E talvez por isso a busca só possa levar a morte: esperança de que em algum momento, na outra vida, seremos perfeitos e satisfeitos com nossos atos e posses.
Toda essa introdução só para dizer que amei Black Swan (Cisne Negro), novo filme de Darren Aronofsky – que, para minha vergonha, quase não conhecia – com a perturbadora atuação de Natalie Portman (pronta para o Oscar desde “The Closer – Perto demais”) em um filme que a principio reúne elementos já conhecidos em qualquer suspense/terror, mas ultrapassa isso por nos conduzir e uma reflexão mais profunda de uma bailarina atormentada por suas limitações e dualidades, uma mãe super-protetora, desejos contidos e a eterna busca pela perfeição.
Duas coisas ficaram claras para mim após sair do cinema: 1) O filme é perturbador e reflexivo, passei horas pensando nos contextos, insinuações, possíveis metáforas, e nada melhor do que um filme que meche com você (uma das principais funções do cinema é nos ‘fazer sentir’) e o faz pensar; 2) Preciso urgentemente ter mais cultura e assistir apresentações como a do filme. Dei-me conta que nunca assisti uma apresentação de balé, afinal, o ideal nem sempre é alcançado…   

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